|
Segunda-feira, Março 26, 2007
GOLD (Estórias Paralelas)
Ela não era de ouro, mas se comportava como se fosse. Ruiva, de olhos claros, bem magra e segundo as más línguas, com um apetite sexual invejável. Gold era um amor de menina, sempre falando, sem muitas frescuras a se notar e bem ruiva.
Já a conhecia de outros carnavais, pois namorava um amigo sumido meu e após o término um dramalhão mexicano aflorou. Ela saindo com as amigas e ele, em casa, curtindo o punhal que agora rasgava seu peito. Convidei-a para o churrasco, ela e o namorado entojado dela, um outro agora, um não-amigo meu.
Gold estava lá, sempre ruiva, e o cidadão não. Depois fiquei sabendo que eles tinham dado um tempo, coisa de casal que diz que se ama, mas que está sempre de olho no sexo alheio. Então Ed, o sempre corajoso, querendo todas as mulheres do mundo e alguns transexuais também, deu início à ação. Pega cerveja pra ela, oferece carne pra ela, pergunta como foi o término pra ela, fala no ouvido dela, até que beija a boca dela e passa a mão na bunda dela e outras coisas que não são minhas, são dela!
Infelizmente alguns amigos em comum estavam presentes, e o cidadão ficou sabendo...
postado por Johnny Guy às 12:36 AM
Sábado, Março 24, 2007
A Limpeza (2004)
Creio eu, nunca ter sentido tanto ódio de alguém. Aliais minto, pois já senti, mas por outros motivos muito mais cabais do que uma simples nojeira. Margô havia vomitado tudo. Tudo mesmo, paredes, o chão, a pia, o espelho e nas pessoas à sua volta. O banheirinho safado do prédio de Mercedes estava irreconhecível.
Depois de quase tudo cuidado, a bêbada dentro de um táxi junto com a amiga juvenil, os convidados mais horrorizados terem deixado o local, eu ter baixado meu nível alcoólico em alguns mililitros, começaria a parte mais encarniçada da batalha, onde só os fortes de espírito entram e somente os imortais sobrevivem. A limpeza.
De chinelos, com um rodo na mão, muita coragem e com mais algumas doses de vodka para tomar coragem. Mercedes equipada com um balde, água, sabão e muito nojo assistiam-me da porta. Em menos de meia hora o serviço estava feito e minha dignidade nunca mais seria a mesma.
Do traumatizado, Johnny.
postado por Johnny Guy às 2:21 PM
Quarta-feira, Março 21, 2007
Hoje, vinte e um de março de dois mil e sete, é aniversário da amiga Rachel, que demorará um pouco para entrar nas minhas estórias como personagem dado que eu apenas a conheceria daqui a um ano, um ano e meio, parados do jeito que estamos no roteiro.
A faculdade me atarefa, o jogo do Flamengo me deixa apreesivo, pessoas novas me deixam animado. Assim não dá para escrever! Preciso de alguém que acabe com o meu dia, que me sacaneie, pise e escarneie, que eu queria chamar de digníssimo filho da puta!
Parabéns Rachel, 20/21 aninhos (se eu puder chutar, fico com 21), eu não sei ao certo, mas é quase certo que você não vá chegar a ler essa mensagem, então, é só por hoje.
Mentira.
Estou, faz algumas semanas preparando um conto. Estava lendo meu querido e saudoso Nelson Rodrigues e me animei por cafungar na podridão do ser-humano, mas a verdadeira. Não esse arremedo que constitui o nosso cotidiano surrado e batido.
Abraços ao Nelson, meu orientador pos mortem.
postado por Johnny Guy às 3:52 PM
Segunda-feira, Março 19, 2007
A idéia original do blog era postar todo dia, vulgo diariamente. Mas como me conheço, não me responsabilizo pela falta de perenidade dos escritos. Peço desculpas se isso causou algum transtorno irreversível a alguém, mesmo crendo que não.
Amanhã eu prometo que tem mais. Sem falta e/ou desculpas.
postado por Johnny Guy às 3:34 PM
Sábado, Março 17, 2007
A Choradeira! (2004)
Depois dos bêbados ficarem mais bêbados e dos tijuco-suburbanos ficarem mais horrorizados com o glamour decadente que era explicitado a tão abertas veias, a festa começou de verdade. Segundo contam, porque eu não sei de nada. Larguei de mão a minha Maria, que não é mãe de Deus mas era cheia de graça, para ficar com a loirinha e depois com a minha amiga Margô piriguete. Com sinceridade eu não lembro muito de nada, apenas de flashs, de bolsões, nada muito concreto ou mesmo conclusivo.
Blasé era o termo que imperou durante os momentos de alucinação alcoólica que transitou por entre os convidados. Alguns tentavam dominar o intempestivo braseiro e cozinhar assim as carnes, outros bebiam socialmente, outros reprovavam com o olhar toda a cena transcorrida, outros como eu, alopravam.
Depois de muito alcoolizado, de muito ressaltar a amizade com amigo Bizarro e amiga Gold (friso nela, pois ela ainda terá uma historinha explicativa mais tarde), depois de ganhar algumas partidas de ping-pong, tudo estava um caos. E até mesmo eu, conseguia ver isso.
Sentamos no banheiro, Mercerdes, Bizarro e eu, a essa altura do campeonato, todo vomitado por Margô, que passava mal incessantemente, fui descobrir apenas dois anos depois que ela e a amiga haviam tomado uma caixa de Lexotan antes de ir a minha comemoração. Mercedes chorava como uma criança, copiosamente pedindo pelo pai e se culpando pelo alvoroço e culpando a mim, bêbado calmo.
Sam cuidava de Margô, dava-lhe refrigerantes e molho à campanha com farofa, a carne não estava pronta, ainda.
ps.: Estou 47 minutos atrasado. São meia-noite e quarenta e sete. Porra!
postado por Johnny Guy às 12:47 AM
Quinta-feira, Março 15, 2007
As Pilantras (2004)
Lá pelas tantas, chegaram duas amigas minhas, digo, uma amiga minha e uma amiga desta amiga. Meio bêbadas. Margô e Juliana, uma dupla inesquecível. Margô fizera curso comigo, era DJ, gente boa até o talo. Juliana eu conheci no dia. Loura, baixinha, bem magra, grunje, hoje deve estar mais moderninha. Margô havia me prometido um presente, de aniversário, do ano anterior. Uma garrafa de vodka. Orloff. Nem boa nem ruim, mas extremamente bebível numa tarde fria e chuvosa.
O churrasco seguia intrépido comandado pela minha equipe de apoio, Sam, Tim e Ed. Enquanto isso assumi o papel de ¿tequileira¿ e fui servir os convidados, pois acho deveras humilhante, servir uma bebida destilada, de boa estirpe, em copos de plástico, o fim da picada, então resolvi a questão enchendo a boca cada um dos alcoólicos e sacudi-lhes a cabeça, praticamente uma mexicana louca.
A sinuca deveria ser um esporte olímpico. E a sinuca bêbado deveria ser um tipo de meditação. Ao mesmo tempo em que envolve sabedoria matemática esse simples joguinho diverte multidões e cativa outros milhares com a sua prática. Devemos exercer um conhecimento técnico para chegar à vitória, mas também precisamos de um feeling necessário para as bolas mais difíceis. Porem quando se esta bêbado, tudo se funde num enorme turbilhão de possibilidades e o player pode tudo, tenta tudo, consegue tudo dentro dos limites aveludados do pool.
Uma dose de vodka para você, uma para o Johnny. Uma para ela, uma para o Johnny, uma para ele, outra para o Johnny. Fim de papo, eu não fiquei bem.
postado por Johnny Guy às 10:21 PM
Quarta-feira, Março 14, 2007
Os Convivas (2004)
Depois de muito beber a nossa Narigada de Maracujá e pouco olhar a carne, estando o meio-dia já corrido, os convidados ¿de verdade¿ começaram a chegar. A aristocracia da classe média tijuco-suburbana em peso. E, diga-se de passagem, eu não me orgulho disso seja em qualquer sentido.
Dividamos rapidamente os presentes em grupos distintos, para que a leitura torne-se mais dinâmica e para que o leitor esteja mais interado do ambiente festivo: os meus amigos, do Johnny, já bem alcoolizados no inicio, Mercedes e Bizarro, amigos de copo contra o pessoal avulso, sempre meio cheio de nojo com relação seja à carne, aos espetos, à cerveja. Grupo tristonho e tendencioso a passar a vida inteira praticando ad eternum o papai-e-mamãe, reclamando das contas da TV à cabo no final do mês e que o Botafogo empatou com o Camaçari jogando pela Copa do Brasil. Espetáculo Depressivo. São pessoas bem legais, mas que possuem esse defeito essencial em sua existência, não se soltam. Falta a eles o Let it be dos Beatles.
O ambiente era bom, de confraternização e harmonia. Compramos refrigerantes para todos que não bebiam e cerveja para os alcoólicos, carne para os desleixados e frango para os dietéticos, arroz para os tricolores e farofa para os flamenguistas.
Num dado momento chega Maria Eduarda, vestindo uma blusinha verde, sem sutiã, uma saia mínima, sapatos Moleca. Nos falamos, trocamos beijos quentes, ofereci uma cerveja, mas ela não bebe, pegou um refrigerante e tomou um lugar ao lado do Tim, pois já se conheciam e estando eu extremamente atribulado com os afazeres do churrasco, além é claro dele estar praticamente só, dormindo encostado em uma pilastra.
postado por Johnny Guy às 8:53 PM
Terça-feira, Março 13, 2007
A Narigada de Maracujá (2004)
A Narigada de Maracujá é um drink (gummy) preparado com suco de maracujá in natura, cachaça e açúcar, há também quem ponha licor de maracujá. Dedico agora a memória de um caso meu, a história de uma bebida tão potente e tão latente em nossos fígados e corações.
Eu conheci uma menina, a Maria Eduarda. Muito safada por sinal, olhos verdes, seios pequenos, baixinha, deveras pueril. Nos conhecemos no colégio, eu veterano e ela caloura. Nós conversamos e em algum momento tórrido dessa linha cronológica, não me lembro bem como, nós ficamos. Durante um tempo foi legal ter aquela coisa bem informal, como diz o popular, só sacanagem, mas algumas semanas depois ela partiu para coisas mais sérias com outras pessoas e eu conheci uma menina, que aqui não convém citar nada sobre e a relação parou de fluir de um jeito saudável, então afastamentos à parte, paramos de nos ver com tanta freqüência, ou melhor, praticamente paramos de nos ver.
Algumas semanas antes do meu prometido churrasco, encontramo-nos em um aniversário, conversamos, descobri que agora ela tinha um namorado sério, que estava fazendo curso de informática e o mais importante, que ainda estava doida para terminar o que começamos. Depois de muitas cervejas, não sei porque comentei com um amigo, o velho Sam do churrasco, que eu sentia um cheiro de maracujá deveras gostoso provindo do hálito da menina e ele sabendo-me muito bêbado, não me deu crédito, mas depois de algumas conversações com Maria Eduarda e de levar algumas narigadas dela, não resisti à sua insistência em dizer que tinha namorado e mesmo assim se insinuar. Não deu outra, Narigada de Maracujá.
postado por Johnny Guy às 11:17 PM
Segunda-feira, Março 12, 2007
Engatilhando o Ajambrado (2004)
A lista de convidados estava pronta, a de colaboradores também, amigos Mercedes, Ed e Charles estavam dispostos, junto comigo, a formar o batalhão das compras. Então partimos para o supermercado e adquirimos tudo o que poderia vir a ser solicitado para um churrasco: carvão, cerveja, carne, cerveja, copos, cerveja, guardanapos, cerveja, farinha, cerveja, arroz, cerveja, vegetais, cerveja, sal grosso e muita CERVEJA.
Tudo pronto, começava o 18 de julho, e após uma noite pouco dormida, coloquei um moleton por cima da camisa da noite passada, um short desbotado, meu chinelo de dedo e numa manhã cinza e fria caminhei até o prédio de Mercedes, por sinal tão cinza e frio quanto. Apenas cinco minutos de caminhada. Um porteiro pouco receptivo, muitas sacas de comida na mão, além dos sacos de carvão. Uma merda.
Depois de algum tempo de suor da labuta, Tim, Sam e Ed chegados, estes que se propuseram a ajudar com a arrumação e tudo mais. O circo estava armado e eu já podia ir para casa tomar um banho rápido e chegar apresentável aos convivas. Últimas instruções: ¿Ed, eu botei muito sal na carne porque só deu tempo de temperar hoje, então não põe no fogo assim não, dá umas batidas nelas primeiro. Okay?¿
Simples. Tudo Simples. Mas desde que inventaram as desculpas acabaram-se os incompetentes, já dizia outro tio meu. Fui, tomei banho, ouvi alguns convidados gritando comigo no celular porque não achavam onde ficava o lugar da festa, durante o meu banho e voltei. Cheguei, olhei a carne e não deu outra.
PUTA QUE O PARIU ED!
postado por Johnny Guy às 4:51 PM
Domingo, Março 11, 2007
The Lovely Barbecue (2004)
Junho chuvoso se passava sem mais nem menos. Lá pelos quinze anos que se nasce, não para você, mas para o mundo, e de fato, é isso que importa. As descobertas, as decepções, as bebedeiras, as conversas. Tudo muda e não se pode impedir nem brecar, de modo algum e acho até bom que não possamos, pois dado o grau de insegurança do ser humano seríamos sempre uns bostas, nos resguardando do que é feliz e gostoso.
Aos quinze anos, se tem um mínimo de bagagem para poder olhar por cima do ombro e enxergar alguma coisa atrás de você mesmo. Então, eu acho pelo menos, é que se ganha um mínimo de confiança, proporcional à sua bagagem, para começar a pôr o pézinho dentro da jaca da sua vida. Um achismo oportuno agora: creio que nesse momento álcool, cigarro e drogas tornam-se coisas mais terrenas e aceitáveis, o que para alguns se torna uma perna dentro da jaca ou quem sabe um corpo inteiro.
Nesse mesmo mês cinzento nasceu uma idéia, convenhamos, luminosa. Nós faríamos um churrasco para animar as mal-batidas férias do meio de ano, que sem a comemoração passariam mais incólumes do que nunca. Convencionamos, discutimos, brigamos, gritamos, fizemos contas e o plano saiu. Todo ajambrado mas saiu. Tantos quilos de carne, muitos litros de cerveja e alguns amigos à volta do braseiro.
Na época, cursava o último ano da graduação do ensino médio e como todo estudante mal-intencionado não queria nada com porra nenhuma. Como já dizia um tio meu, a alegria do pobre é cachaça, futebol e sexo. E como somos todos pobres de espírito, já viu né?
postado por Johnny Guy às 3:03 PM
|